quinta-feira, 7 de novembro de 2024

ALGO VAI ACONTECER

Texto de autoria de AustMathr Viking Dubliner e Inglesa Luso-Chinesa com direito autoral protegido pela Lei 9610/98.  LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Esse portento de formosura já aconteceu, Daqui a milhares de anos do nosso tempo, Precisaremos de almas bastante amigas, Para sairmos robustecidos na fé e na crença deste milagre, Tomaram emprestado de nossa mãe terra, Penhoraram nosso amor, O nosso futuro gostaria de nos resgatar antes do sistema solar vos espalhar galáxia afora, Gostaria de nos elevar, Brilhando telas, E exalando âmbares, Por amazonas cupidinosas, Como Anti-ares, Apontando com seus arcos certeiros, Nossos lindos seios cortados, Que são de nosso torrão, Sempre estiveram em todas nossas bandeiras, Que Continuamos hasteando e tremulando em nossos sonhos, Nossos pares atravessaram as estrelas, Com essas Flautas encantadas que afugentam todo perigo, Atraíram-nos para as fantasias que pensávamos existir só no país das maravilhas, Com nosso avanço pelo cosmos, Entrevemos, De longe, Nosso sol, Como um pastor sentado à borda de um tênue regato de gases e poeira, Como num braço de ribeiras de várzeas, Aparecem-nos arabescos caprichosos e românticos, E poéticos devaneios, Eis ali os dois irmãos inseparáveis e incestuosos, Os filhos de Leda, A cabeça da primeira gêmea, E os pés da segunda, Ambos guardados com alegria plena pelas mãos da guerreira do centro, E nas extremidades vemos a  princesa tecelã, E o pastor de gado, Que se veem só uma vez por ano, E quando chega o dia, Lançam-se de encontro um ao outro como num voo de águia, Parecendo vegetais felizes, Mergulhando as sôfregas raízes, A procurar no solo ávidas seivas em seus lábios, Eles, Assim como nós, Ao contrário do romancista que entra na literatura com o pé direito, Têm os pés esquerdos de algo central, De algo maior, E se apartam pé ante pé, Sem solércia e negaça, Até que o brilho de seus olhos se reduzem ao som de um pulsar, E simplesmente sentem sem o coração, Só com a imaginação, Que já fora de leão, E agora é um pequeno rei mitológico, Do tempo da virgem Erígona, Seu pai Icário, E seu cão Maera, Aqueles que se seguem, Ao clarão de belas supernovas, Faróis para todos navegantes do universo, Como o piloto do navio de Menelau em sua expedição para reaver Helena de Troia depois dela ter sido levada por Páris, Como eu que tenho vocês, meninas e amadas ao pé de si, Que faz vossa humanidade feliz e completa, Traga-me de volta, Correndo e carregando comigo uma braçada de espaço sideral retardatário, Colhido pelo caminho que trilhamos, E levado pela boa vontade de vossa soberania, Crescei e multiplicai-vos em bilhões idênticas a vocês, minhas belas irmãs, Esse portento de formosura já aconteceu, Daqui a milhares de anos do nosso tempo.

ELEFANTES NÃO ESQUECEM

Texto de autoria de Alceu Natali com direito autoral protegido pela Lei 9610/98. LEIA O TEXTO AO SOM DA MÚSICA DO VÍDEO POSTADO NO FIM. Sem ela, a vida seria um erro (Friedrich Nietzsche)

Mais de uma década e o telefone não toca, A culpa é do meu temperamento explosivo, Do tempo marcado por uma eternidade de segundos, Trancados do lado de fora de minha alegria de viver, Porque abandonei Deus, Faltei aos funerais, E às festas, Mesmo apaixonado por esta airada vida, Que não passa de um circo, Um dia sou a principal atração da noite, Noutro o faxineiro que limpa o picadeiro na primeira hora da madrugada, Cheio das volumosas necessidades deixadas pelos elefantes, E esses animais são os que mais me conhecem, Como todos itinerantes que encontrei, E frustei, Todos passageiros como nuvens, Eleitores de meu ostracismo em involuntária solidão, Na companhia de meu inseparável e salvador rock and roll, De quem não largo, Sem dinheiro para aposentadoria, Sem aquela gente que de mim dependia, Que de mim só herdou ojeriza, Porque minha felicidade sempre esteve com a validade vencida, Minha palavra nunca teve valor, A não ser monetário, Meu caráter perdeu-se na ignorância dos que só enxergam meu invólucro, Porque tentei fazer muitas coisas de uma vez, Nunca as terminei, E desaprendi umas poucas que sabia, Então vou no vai da valsa do macaco, Pulando de galho em galho, Trocando de esconderijo todas as noites, Feito equilibrista, Balançando na corda bamba de uma utopia sem princípio nem fim, Trocando a terra firme pelo palheiro da imensidão dos oceanos, Transformando-me numa agulha perdida para sempre, Na companhia de peixes, E a memória destes animais não dura mais que cinco segundos, E mesmo já tendo sido gato escaldado, Sem medo de água fria, Sou cismado, Temo que um inteligente golfinho me alcaguete no continente, Para tomar o lugar de um triste palhaço que perdeu a graça, E meu cheiro desperte os elefantes, E esses animais nunca esquecem, E avisam a todos que procuram gente para odiar, Que posso ser encontrado no mar, Por isso me apego às últimas águas que me protegem do mundo, Destruindo todas as pistas, Certo de que um dia ainda pego o jeito de me aguentar firme como um pária da sociedade, Conquanto, para todos os castos, Puros e virtuosos, eu siga sendo o fruto amargo da árvore da civilização malsã.




Don’t Let Go The Coat
The Who
 
[Verse 1]
I cannot be held responsible for blown behavior
I lost all contact with my only savior
No-one locked me out because I failed to phone up
I cannot bear to live forever like a loner
 
[Chorus]
Do not let go the coat
 
[Verse 2]
It is easy to be sad: when you lack a partner
But how would I react to a broken heart now
It is not really true rock and roll unless I am
Hanging onto you and when I hold it next time
 
[Chorus]
I will not let go the coat
 
[Verse 3]
I try to explain but you never understand it
I need your body but I cannot just demand it
I will not let go like a stray at heel
(Never let it out of your sight)
Every lonely wife knows the way I feel
 
[Chorus]
(Do not let go tonight)
Do not let go the coat
Never let go the coat
 
[Verse 4]
Your friends all pass for life is just a market
But you have to finish everything you started
So I live my life tearing down the runway
Sure to get the hang of hanging in there someday
 
[Chorus]
Do not let go the coat
Will get no more chances - forget the war dances
Go blind and hang on – do not try the slang son
Never let go the coat